sábado, 28 de fevereiro de 2009

melo(dia) esquecida.

Estou sentada numa cadeira branca. Uma cadeira branca, numa sala de espera com mais três pessoas. A primeira, é loira e tem uma gabardina azul pela qual me perdi de amores. Está completamente abstraída daqui, perfeitamente concentrada na mini-televisão, pendurada no tecto. Não sei o que invejo mais, se a gabardina se aquele estado em que se encontra. Depois, está uma senhora com cerca de trinta e nove anos (se lhe desse quarenta era um insulto) com um miudo de sete (sete porque detestei quando fiz oito anos, e nove ele não tem). O miudo, não para e com a aquela asáfama toda acaba por se esbarrar contra uma parede. "Pedro, para quieto!".
Prometo agora, e sempre que quando tiver filhos nunca os irei tratar assim. Primeiramente, Pedro é um nome comum demais para se dar a uma criança, e em vez de estar ali encostada ao balcão a ler a Maria, aquela mulher devia brincar com o filho também. Melhor, devia levantar-se dali, e correr mundo fora com ele, abandonar aquela sala de espera com paredes verdes e aquele aquário com peixes tristes. Quando o miudo sentisse dores de dentes, que mandasse o pai com ele ao dentista, que é para isso que ele serve. Suponho que esta meia duzia de linhas que escrevi, sejam consequência da minha (optima) fantástica boa disposição. Mas apercebi-me de uma coisa agora. Tanto eu, como a senhora da gabardina e aquela mãe trivial compartilhamos a mesma sensação. Estamos perdidas, perdidas e encontradas nesta sala de espera... Sinto que se começa-se uma conversa com uma das duas, iriam vir mais e mais. Mas não quero. Eu encontrei-as, elas que me encontrem também. Não sinto que o miudo sinta o mesmo que eu. É feliz demais para isso! O final desta fantástica espera, foi que acabei por não entrar sequer no consultório da cadeira branca e da broca (baaah) e o meu pai chegou (super-heroi) e trouxe-me para casa, determinando uma nova consulta para o final de Março. Foi uma manhã esclarecedora.

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